Estado do Rio Grande do Sul - Secretaria da Educação
ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL NAÇÕES UNIDAS
Rua Manoel do Carmo, nº 100 - Bairro Nonoai CEP: 90830-340 Tel. 32662049
http://escolanusai.pbworks.com/
Projeto Arte na Escola
Público Alvo: 8ªs Séries do Ensino Fundamental - Turmas 81/82/83
Período de Desenvolvimento: de Março a Dezembro - Caráter Permanente
Disciplina: Arte-Educação
Autora: Professora Tânia Bretanha
Descrição, Realidade e Entorno da Escola
A Escola possui Ensino Fundamental completo de 8 anos e, desde 2007, está implantando o Ensino Fundamental de 9 anos.
Localiza-se no Bairro Nonoai, zona sul de Porto Alegre, no limite entre duas situações sócio-econômicas distintas e atende uma clientela com situação sócio-econômica baixa.
A unidade escolar possui estrutura física adequada e bastante extensa.
O Corpo Docente possui habilitação para atuar em suas áreas de competência e muitos estão buscando especializações.
A comunidade é atendida por Conselho Tutelar da Microregião 5, pelo SASE (Serviço de Apoio Sócio Educativo), por creche comunitária e outra municipal, CTG comunitário e por inúmeros projetos sócio-educativos desenvolvidos pelas escolas periféricas (Martin Aranha, Piauí e Nações Unidas), entre outros serviços como os de saúde, posto de saúde Cachoeira e "Postinho" dentro da Escola Piauí.
São atendidos na Escola um total de 496 alunos, com idades entre 6 e 18 anos, em dois turnos, manhã (7h40/7h45 a 12h05/11h45) e tarde (13h15 a 17h15/17h40).
Quanto aos projetos realizados pela nossa escola contamos, até o ano de 2008, com o projeto Unidança, coordenado pela professora Luciane Burgos; os projetos em andamento, que atendem à comunidade em turno inverso, como o Projeto da Banda Escolar, sob responsabilidade do Estudante de Música Diego Ramirez; Projeto Mais Educação, sob coordenação da professora Patrícia Perello e o Projeto do Laboratório de Informática Educativa, sob coordenação da professora Mara Tavares. Muitos professores desenvolvem projetos de aprendizagem e projetos de ensino com suas turmas, desenvolvendo as atividades pedagógicas em 7 salas ambientes, sendo uma sala para cada disciplina [séries finais]. Possui ainda, salas apropriadas para Vídeo, Biblioteca, Auditório, Laboratório de Informática, Refeitório, SSE, SOE, Professores, Secretaria, Direção, Ed. Física, Grêmio Estudantil, Monitoria e Xerox.
Em frente à Escola, pela rua Coelho da Costa, há uma imensa área verde, com pracinha, campo de futebol e pista para cooper, usada pela comunidade como área de lazer e encontro.
A Escola promove eventos com oficinas, realizadas pelas disciplinas, serviços sociais, pelo SESI, palestras e jogos, que são muito apreciados pela comunidade, tornando-se momentos de contato, únicos, entre a escola e algumas famílias; além das tradicionais Festas Juninas e de Aniversário da Escola.
“Quando falamos de projetos, o fazemos pelo fato de imaginarmos que possam ser um meio de ajudar-nos a repensar e refazer a escola. Entre outros motivos, porque, por meio deles, estamos reorganizando a gestão do espaço, do tempo, da relação entre os docentes e os alunos, e, sobretudo, porque nos permite redefinir o discurso sobre o saber escolar (aquilo que regula o que se vai ensinar e como devemos fazê-lo)”.
Fernando Hernández
Justificativa
A principal justificativa para o desenvolvimento deste projeto de trabalho é a intencionalidade de construir habilidades e competências que, além de específicas para o desenvolvimento do senso artístico, possam colaborar para a construção de conhecimentos em outros campos do saber. Conforme Maturana nos diz na teoria do Acoplamento Estrutural, desenvolvemos nossa capacidade de nos construir enquanto construímos o mundo ao nosso redor, seja através dos relacionamentos ou da manipulação de objetos. Em um Projeto de Trabalho o aluno aprende e desenvolve as habilidades necessárias para a construção de sua atividade no desenvolvimento do próprio trabalho, mostrando-se como uma Arquitetura Pedagógica indispensável para a formação de sujeitos que estão sempre dispostos a aprender a aprender, competência altamente valorizada no mundo atual.
“Um Projeto na Escola não pode ser comparado a um simples planejamento de atividades que deverão ser cumpridas, mas a certas intenções e possibilidades, em constante avaliação e replanejamento, aproveitando acasos, caminhando opostamente por outros caminhos em tentativas investigadoras e ousadas, sem nunca perder de vista os focos centrais que fizeram nascer o projeto. [...] Na palavra projeto está contida uma intencionalidade, que ainda é um vir-a-ser. Algo que, como a arte, citando (...) Pareyson (1989: 32), é ‘um tal fazer, que enquanto faz, inventa o por fazer e como fazer’”. (Míriam Celeste Martins)
Descrição, Desenvolvimento e Conteúdo
Elaboração de desenhos usando linhas, formas, profundidades, direções, cores, matizes e nuances de forma gradual e cumulativa, com o uso do lápis de cor. O aluno deve construir o seu trabalho atento aos detalhes, a cada etapa, reproduzindo com maior precisão e cada vez mais próximo da realidade da proposta apresentada.
A execução desses desenhos é feita em quatro etapas, com grau de atenção, dificuldade e tempo gradativos. Após a conclusão da quarta etapa, os alunos elaboram um ou dois desenhos de sua autoria com base nos elementos desenvolvidos nas etapas anteriores.
Durante a elaboração dos desenhos, a cada etapa, são apresentados para os alunos materiais fornecidos pelo professor, como textos, imagens e vídeos, solicitações de pesquisas, sobre vida e obra de artistas e os períodos da História da Arte a qual pertencem, contextualizando assim, a construção dos desenhos em cada etapa.
Pesquisas:
- Os principais Movimentos da Arte;
- Máscaras Africanas;
- Releituras:
- Abapuru de Tarsila do Amaral
- Girassóis de Van Gog
- Vários de Mondrian;
- Vários de Salvador Dali;
- Vários de Picasso;
- Ciclistas de Iberê Camargo;
- Outros.
Vídeos:
- Monet; Degas; Renoir;
- Impressionismo; Cubismo; Pós-Impressionismo.
Trabalho de Campo:
- Visitações a exposições, feiras e Bienal;
- Visitação a Museus: MARGS e Iberê Camargo.
Ao final do ano letivo, as turmas envolvidas no projeto escolhem os elementos gráficos e cores de sua preferência para compor uma tela (tamanho banner) que será confeccionada coletivamente por elas.
Esse Projeto foi elaborado tendo como base o desenvolvimento da observação, disciplina, acuidade visual e auditiva, motricidade fina, usando os componentes curriculares da série na área de Arte-Educação. Elementos que objetivam o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias para a aprendizagem em todos os campos do saber. Especificamente, em Arte-Educação, esse trabalho desperta para a consciência das potencialidades do ser; para o desenvolvimento da curiosidade; da concentração; da atenção; da determinação; do prazer em executar uma tarefa e da busca pelo aprimoramento, tanto do trabalho como pessoal, refletindo em suas atitudes dentro e fora da Escola.
Embasamento Teórico
Todos nós sabemos que existem muitas maneiras de se trabalhar em sala de aula, e relativamente ao ensino de arte isso não é diferente. Para entender melhor a proposta desse projeto, em particular, vamos fazer uma pequena viagem pelas duas últimas tendências metodológicas no ensino de Artes no Brasil.
Durante a década de 30, surgiu o movimento Escola Nova. Esse movimento tinha como objetivo oxigenar e transformar o sistema educacional da época, visto como ineficiente, para isso, pregava o ideal da livre-expressão. Nereu Sampaio, um dos educadores comprometidos com essa corrente, defendia uma educação através da Arte, que privilegiasse a imaginação, a intuição e a inteligência da criança, ou seja, o trabalho centrado na criança. Em Demerval Saviani lê-se:
"{...} a pedagogia nova deslocou o eixo da questão pedagógica do intelecto para o sentimento; do aspecto lógico para o psicológico; dos conteúdos cognitivos para os métodos ou processos pedagógicos; do professor para o aluno; do esforço para o interesse; da disciplina para a espontaneidade;do diretivismo para o não-diretivismo; da quantidade para a qualidade; de uma pedagogia de inspiração filosófica centrada na ciência da lógica para uma pedagogia de inspiração experimental, baseada, principalmente nas contribuições da Biologia e da Psicologia."
Todas essas questões se relacionam com um ensino focado na educação através da arte e, também, com a Teoria da Livre Expressão, ou seja, o aluno expressa-se com inteira liberdade sem qualquer tipo de interferência do professor, corrente que influenciou arte-educadores brasileiros entre as décadas de 60 e 80. Porém, ainda não chegamos a um ideal em Arte Educação, pois alguns elementos que a Escola Nova abria mão são considerados indispensáveis para a construção de aprendizagens significativas, tanto em Artes, quanto em outros campos do saber.
No final da década de 1980, o ensino em geral buscava por ações que valorizassem as vivências dos alunos, que se relacionem com as questões sociais e, principalmente, que favorecessem o desenvolvimento de uma consciência crítica. Nessa perspectiva, o Ensino de Arte busca resgatar os conteúdos da área com o intuito de marcar a disciplina como área de conhecimento no currículo escolar.
A Arte-Educadora Ana Mae Barbosa foi de vital importância para a forma de ensinar Arte no Brasil nesta época. Comprometida com a democratização do saber em Arte, com a possibilidade de tornar acessível a todos os alunos – da rede pública e particular – os conteúdos artísticos, passou a estudar formas de conduzir um trabalho conectado com as realidades pessoais e sociais dos alunos. Inseriu, também, no universo do ensino da arte a “Metodologia Triangular”, proposta metodológica que enfoca de forma integrada:
• o fazer artístico,
• a análise de obras e objetos de arte e
• a História da Arte.
Essa modalidade de ação pedagógica vem sendo estudada desde a década de 1990. Iniciou em São Paulo, no Museu de Arte Contemporânea da USP, teve continuidade no Rio Grande do Sul pela Fundação Iochpe e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, disseminando-se nas instituições de ensino por todo o país.
Assim sendo, os arte-educadores, hoje mais comprometidos, entendem que precisam trabalhar uma arte na escola que possibilite às
crianças o vivenciar e compreender as linguagens da arte a partir da experiência de fazer formas artísticas e tudo que entra em jogo no percurso criador; valorizando os recursos pessoais, a pesquisa de materiais e técnicas, possibilitando um trabalho centrado na percepção, na imaginação e na reflexão.
Enfim, como nos diz Mirian Celeste Martins (1998), o que se pretende nas aulas de arte, nessa perspectiva, é a interação da criança com o campo da arte, o seu contato direto com ela, tal como é previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Em 1996 foi aprovada no Brasil a LDB 9394/96, na qual a arte configura-se como componente curricular obrigatório, tal como previsto nos PCNs de Arte, a partir de quatro linguagens: artes visuais, teatro, dança e música.
Os arte-educadores (artes visuais), considerando as mudanças estabelecidas, implementaram em suas classes um ensino que passou a contemplar a apreciação, a reflexão e o fazer.
Nessa perspectiva pedagógica, os questionamentos a respeito dos vários temas suscitam uma abordagem que inclui a resolução de problemas. Os estudos são encaminhados a partir dos conhecimentos prévios do aluno com vistas à construção de novas aprendizagens. O papel do professor é muito importante, na medida em que ele é o planejador/executor/observador das estratégias utilizadas.¹
“O universo da Arte caracteriza um tipo particular de conhecimento que o ser humano produz a partir das perguntas fundamentais que sempre se fez em relação ao seu lugar no mundo” (PCN – ARTE, 1997, p.32).
"[...] A pintura, a escultura, gravura e outras técnicas muito usadas na manifestação artística do homem enfrenta hoje o desafio de atualizar-se, de inserir-se nestes tempos de individualizações e de imagens instantâneas. [...] A história da Arte também dá subsídios para que uma obra seja localizada em suas influências, mostrando onde estão as analogias, rupturas ou contradições. [...] Assim, a arte de hoje, ao mesmo tempo em que dispensa grandes racionalizações, exige conhecimento e envolvimento pessoal além de desprendimento de conceitos para ser apreciada.
O grande fruidor é aquele que livra-se das idéias pré-concebidas e percebe a obra em sua atmosfera, deixa-se levar por ela, e, ao olhá-la, carrega-se a si mesmo, segundo sua própria bagagem.”
(HELOÍSA REIS - DICAS SOBRE ARTE CONTEMPORÂNEA, 2003)
Por essa razão, a proposta desse projeto, além de construir habilidades e competências necessárias à aprendizagem, é levar o aluno a compreender a Cultura Visual como o conjunto de expressões artísticas produzidas por culturas diferentes. Ou seja, as manifestações culturais, nos seus mais diferentes nuances, tais como artesanato, cerâmica, tapeçaria, fuxico, xilogravura, pintura, escultura, grafite, arquitetura, cinema, tv, outdoors, etc., que dão dimensão e materialidade à cultura de um povo, de um grupo étnico, dos moradores de uma região ou de um segmento urbano ou rural.
Nesse sentido, o artesão que esculpe figuras em terracota, representando cenas do folclore ou o escultor de madeiras, pedras nobres, ou materiais inusitados; a crocheteira, a rendeira ou a estilista; o grafiteiro anônimo, ou o renomado artista plástico; o produtor cenográfico de tv, teatro ou cinema; o design de propaganda e marketing; o arquiteto ou o paisagista são expoentes culturais e contribuem com o cabedal da Cultura Visual que representam.
A Arte, ou Cultura Visual, não é privilégio da civilização contemporânea, egípcios e gregos, por exemplo, já na antiguidade, a produziam e a usavam com diferentes fins e intenções, sendo uma delas a representação de determinadas características que davam ao povo o sentimento de pertencimento e unidade cultural; com a função de enviar uma determinada mensagem, tal qual a usamos hoje. Nenhuma civilização, sob esse ponto de vista, pode requerer o status de Arte ou Cultura verdadeiras, para suas manifestações, pois todas as representações artísticas/culturais são autênticas.
Portanto, com esse trabalho o aluno é levado a entender que a Arte e a Cultura não tem gênero, cor, nem posição econômica ou social, não possui fronteira religiosa ou geográfica. Ao ser criada com esta ou aquela finalidade, esta se torna secundária com o tempo e passa a compor o patrimônio da humanidade. Ou seja, uma obra de “Aleijadinho”, não pertence apenas a Igreja Católica, embora, tenha sido concebida para o louvor a Deus; as “estampas psicodélicas dos anos 70”, não pertencem apenas aos Hippies, embora tenham sido concebidas com o intuito de manifestar um sentimento de rebeldia e ruptura com a realidade de uma época. Mesmo sendo produzida para atender a esse ou àquele paradigma; para propor reflexões e questionamentos; para conduzir ao temor e oblação; para querer chocar ou encantar, seu único compromisso, na verdade, é o de ser arte, representante e resultado da Cultura a qual pertence, da sua interpretação da realidade, do seu sentimento, do seu local, da sua época, do seu grupo.
1. O que é a Proposta Triangula? em http://pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo3/artesvisuais/bloco_I/tematica_1/popup_05.html# (consulta realizada em novembro de 2007)
Objetivos Específicos
- Promover o desenvolvimento cultural dos alunos, numa proposta triangular, no ensino de Arte-Educação;
- Consolidar a noção de arte como produção cultural, resultante da interação do sujeito com o meio, com a história e o contexto em que foi criada a obra;
- Despertar o aluno para o uso dos sentidos e para a aplicação de técnicas variadas no fazer artístico;
- Ampliar sua concepção de arte, valor estético, e significado cultural;
- Identificar elementos que podem ser aplicadas na releitura ou na criação de uma nova obra de arte;
- Desenvolver no aluno a apreciação, a comparação, a exploração e os questionamentos sobre diferentes produções artísticas;
- Compreender a linguagem visual, os elementos e o contexto para interpretação;
- Compreender sua posição no mundo como um agente social, fruto de sua cultura, que produz e consome arte.
Indicativos do desenvolvimento de Competências e Habilidades nos seis campos abaixo:
|
1. Integração
Manifestaboa relação Sala Ambiente de Artes (SAA) - colegas - professor
É assíduo à aula
É cooperativo
Concentra-se em aula
Interage de forma independente
Resolve problemas em conjunto
Socializa o conhecimento construído
|
2. Hábitos e atitudes nas aulas
Participa e trabalha com interesse,
atenção e disciplina
Demonstra criatividade e bom humor para resolver impasses
Respeita as regras da SAA
Demonstra afetividade
Espera sua vez de falar
Utiliza com cuidado os materiais
Respeita combinações propostas
|
3. Habilidades Específicas
Coordena o uso do lápis
Coordena o uso de réguas e instrumentos
Explora novas combinações e materiais
na aplicação das atividades
Demonstra acuidade visual e auditiva
Executa as atividades com habilidade
tátil, auditiva e visual
Percebe e descreve características
(objetos, texturas, pessoas, períodos, tendências, etc.)
|
|
4. Processo de Pensamento
Estabelece associações
Identifica, compreende e executa atividades propostas
Exercita o raciocínio lógico
Resolve problemas de forma independente ou colaborativa
Demonstra criatividade em diversas situações
Constrói hipóteses
Elabora conceitos sobre os temas
trabalhados
|
5. Percepções
Percebe as diferenças entre
cores, formas, figuras,
diferentes signos, ideogramas, ícones...
Localiza-se no espaço e no tempo
Obedece limites
Segue direções
Estabelece objetivos
Descreve e compartilha
através do trabalho
sensações e sentimentos
|
6. Conteúdos
Identifica as cores, figuras, signos
Identifica formas diversas
Identifica formas geométricas
Segue direções
Identifica e reproduz padrões e motivos
Soluciona problemas com flexibilidade,
aceita e oferece ajuda
Lê e Interpreta diferentes informações
Reconhece e compreende os temas
trabalhados
Identifica períodos na História da Arte e dá exemplos com obras e artistas
|
|
7. Linguagem
Expressa seu pensamento na fala, na escrita, nas imagens e signos que produz com coesão e coerência.
|
AVALIAÇÃO
A avaliação acontece diária e constantemente, fruto dos objetos concretos (Desenhos) construídos ao longo do processo como resultado das interpretações, pesquisas e interações dos alunos com as obras artísticas apresentadas durante o processo de criação de cada uma das etapas, das mudanças de atitudes, da construção de conceitos e do Portifólio de Artes, confeccionado ao longo do desenvolvimento do projeto.
Dessa forma, pode-se ver se os alunos gostaram de realizar a atividade, se gostaram de desenhar e qual a opinião deles sobre as obras pesquisadas. Pode-se avaliar se o olhar deles sobre arte se ampliou, se o estímulo de expressarem, graficamente e por escrito, suas descobertas são realizados com mais segurança. Averiguar o grau de interesse despertado na realização das atividades e, se a experiência for positiva, abrir uma porta para que pesquisem mais artistas, gêneros artísticos e estilos dentro de cada etapa.
Sendo assim, é importante que todos os envolvidos participem e discutam os critérios e regras a serem estabelecidos na criação do Portifólio, pois assim como assinalará o registro da caminhada dos alunos, servirá também como avaliação apontando seus progressos e descobertas. Permitindo o procedimento da auto-avaliação constante do caminho percorrido e dos resultados alcançados na construção do próprio Portifólio, o aluno se sentirá senhor de seu processo e proprietário de seu saber, dando-se conta de que a avaliação não pode ser apenas do educador (Martins, 1997, p.80).
Conforme se expande o número e os tipos de trabalhos produzidos nas atividades, pelos alunos, esses são coletados e armazenados nos Portifólio, havendo mais evidências de suas aprendizagens para serem mostradas à conclusão do projeto. Esse recurso vem se mostrando muito eficiente em flagrar as etapas de construção dos conhecimentos pelos alunos ao mesmo tempo em que explicitam como esses elementos auxiliaram no entendimento e desenvolvimento das tarefas por parte dos alunos.
Outro objeto avaliado é a Tela final, que além de expressar a síntese do Portifólio, reflete a materialização de todas as aprendizagens em um objeto concreto e tangível.
Referências Bibliográficas
- BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação: conflitos/acertos. São Paulo: Max Limonad Ltda, 1984.
- FERRAZ, Maria H. C. de; FUSARI, Maria F. de Rezende e. Metodologia do Ensino de Arte. São Paulo: Cortez, 1993.
- HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura Visual, Mudança Educativa e Projeto de Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000.
- HERNÁNDEZ, Fernando. Os projetos e o processo de tomada de decisões: quatro exemplos de projetos, quatro exemplos de problemas (p.93 -149). In: A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
- HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.
- IAVELBERG, Rosa. Para Gostar de aprender arte. Sala de aula e formação de professores. Porto Alegre: Artmed, 2003.
- MARTINS, Mirian Celeste. Projetos em ação no ensino de arte (p.70 – 87). In: Avaliação e planejamento: a prática educativa em questão. Instrumentos metodológicos II. Espaço Pedagógico: série seminários: junho/1997.
- MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias. Didática e ensino de arte: a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte / Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque, M. Terezinha Telles Guerra, São Paulo: FTD, 1998.
- MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, M. Terezinha Telles. Didática do Ensino da Arte: A língua do Mundo. São Paulo: FTD, 1998.
- PILLAR, Analice Dutra; Cadernos do DEC 2 - FACED/UFRGS, 1993.
- SAVIANI, Demerval. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez, 1990.
Comments (0)
You don't have permission to comment on this page.